Segunda-feira, 16 de Março de 2009

Algumas verdades (in)convenientes

 

 António José Vicente Domingues

Candidato à Câmara Municipal

 

Nos meus tempos de criança, década de setenta adentro, lembro-me de brincarmos ao faz-de-conta; era o intrépido e justiceiro Robin Hood, preparado para atacar todos os déspotas e avarentos do “reino”, de fisga em riste era o traquina e aventureiro Tom Sawyer e aos polícias e ladrões brincávamos infindavelmente, pela noite dentro, naquelas tranquilas e quentes férias grandes, inspirados no lendário duo “Bonnie and Clyde”. Embrenhados na nobreza de algumas profissões, éramos os médicos que salvávamos todos, de todas as doenças. Acreditávamos poder mudar o mundo, e o mundo era nosso, na interpretação e vivência de personagens que admirávamos, umas, e que nos povoavam o imaginário, outras. Éramos nós que negociávamos e estabelecíamos as regras e os tempos destes momentos, e de nós dependia, o sucesso (ou o insucesso) destas brincadeiras. Hoje, amadurecidos pelos filhos que vemos crescer, calejados pelas horas no emprego que nos ajuda a sobreviver, queremos ajudar a construir o mundo real, aquele que encontrámos “cá fora” das nossas brincadeiras de infância. E cada um de nós, nas relações que se estabelecem nos locais de trabalho, nas associações, na participação cívica e empenhada, vai tentando contribuir para melhorar a sociedade e as instituições com que se relaciona no quotidiano. As regras são outras, os pressupostos do “jogo” não são tão ingenuamente apresentados como nos tempos do faz-de-conta da nossa infância. Hoje, sábia e habilidosamente tende a gerir-se os factos e os acontecimentos em proveito de um “jogo”, do qual nem todas as regras são claras, mas no qual é indispensávelparticipar. O resultado e o sucesso desse jogo não interessarão a todos os intervenientes, mas apenas a alguns. A verdade do jogo está intrinsecamente ligada ao resultado que se pretende atingir e neste jogo não há empates, nem «empatas». Faz-se sem árbitro e sem equipa adversária, que neste jogo, só joga quem se acha com poder para presentear, para distribuir ou cobrar. Iniciado o jogo (e o palco do jogo pode ser qualquer «pedaço» deste território; o de hoje, joga-se no terreno sempre difícil do concelho de Ansião), joga-se tudo, menos o importante para o decorrer do mesmo; ouvem-se uns quantos intervenientes fazendo de conta que se ouvem mesmo, usam-se uns quantos jovens, fazendo de conta que nunca se usam, apresentam-se umas iniciativas que inovarão toda a concepção do jogo, fazendo de conta que se quer mesmo mudar, passa-se uma imagem de rigor e competência, fazendo de conta que os números que indicam o contrário estão mesmo errados, diz-se que se fez o que efectivamente não se fez, acreditando que todos vão ficar a saber que se fez mesmo. Prometem-se regularizações rápidas para as dívidas, que desesperam quem as espera receber, fazendo de conta que basta prometer para que tudo se regularize. Arrecada-se o IMI, o IRS e os outros impostos porque tudo o que «vier é lucro», sem existir a preocupação e a sensibilidade, se quem os paga não deveria pagar menos. E para aliviar a pressão até se passa a mensagem (falsa!) que a taxa de IMI foi reduzida este ano, que a autarquia vive uma situação financeira equilibrada, que nem precisa de recorrer ao Programa de Regularização Extraordinária de dívidas do Estado; porque o «estado é de graça», mas diz a sabedoria popular e apela a sensatez que «estados de graça» não duram sempre. É este o jogo, sempre infindável, dos que acreditam que jogando assim se perpetuam num qualquer pódio da vida. E sempre em primeiro lugar… até um dia… em que, por força de muita persistência e alguma paciência, se alterem as regras do jogo. A bem de todos.

 

publicado por ps_ansiao às 23:03
link do post | comentar | favorito
Domingo, 25 de Janeiro de 2009

A Força da Mudança (5)

(Concluímos hoje o resumo da Moção de José Sócrates ao XVI Congresso do PS, com as referências feitas às Eleições Autárquicas)

 

 "Eleições Autárquicas: listas próprias, projecto próprio
 
O principal activo que o Partido Socialista tem para apresentar aos portugueses nas próximas eleições autárquicas é o trabalho e a dedicação dos seus candidatos e autarcas ao serviço das populações e do desenvolvimento local. O PS tem uma forte tradição de empenhamento na democracia local e o seu projecto próprio para o poder local radica na consciência da importância crucial que o dinamismo das cidades e a acção dos municípios e das freguesias tem para o crescimento económico, a qualidade de vida das populações e o desenvolvimento das políticas sociais de proximidade. Essas tarefas revestem uma importância ainda mais acrescida no contexto criado pelos efeitos da crise
económica internacional.
No Governo, o PS reforçou a descentralização – de que muitos falam mas que poucos praticam – com medidas concretas de grande alcance, sobretudo em áreas como a educação, a saúde e a protecção social. Importantes reformas, como é o caso da reforma do primeiro ciclo do ensino básico, foram realizadas mediante o estabelecimento de parcerias entre o Governo e as autarquias locais, com enorme vantagem para as populações.
A dinâmica do combate à burocracia e da simplificação dos procedimentos
administrativos, lançada pelo Governo com o Programa Simplex, deu novas condições de trabalho às autarquias, em domínios críticos como a gestão territorial e o licenciamento urbanístico, conferindo mais autonomia e responsabilidade aos municípios, mas permitindo-lhes também prestar um melhor serviço às populações e ao desenvolvimento local. A simplificação e modernização dos procedimentos administrativos das próprias autarquias, em muitos casos dinamizada pelo novo Programa Simplex Autárquico, completará este esforço e fará parte dos projectos a apresentar pelos candidatos do PS em muitas autarquias do País. Outra marca comum aos projectos autárquicos do Partido Socialista é a valorização da agenda social dos municípios. Esta é uma área em que as autarquias têm vindo aassumir cada vez mais responsabilidades e que deve subir ainda mais nas suas prioridades políticas. A agenda social será, por isso, uma prioridade nas programas autárquicos dos candidatos do PS.
Não obstante a diversidade das circunstâncias locais, o PS deve afirmar nas próximas eleições autárquicas a sua visão do poder local e os traços essenciais que identificam o seu projecto próprio para o trabalho nas autarquias. Essa afirmação deve passar pela realização de uma grande Convenção Nacional Autárquica, devidamente preparada pela Associação Nacional de Autarcas do PS, em articulação com a direcção nacional do partido.
Com a limitação dos mandatos executivos autárquicos e com a aplicação da Lei da Paridade, o PS contribui decisivamente para a renovação e qualificação da democracialocal. Todavia, as próximas eleições autárquicas decorrerão ainda num quadro legislativo e institucional que não favorece nem a eficiência do trabalho dos executivos municipais, nem a clareza na imputação da responsabilidade política, nem sequer a eficácia da fiscalização pelas assembleias municipais. Infelizmente, o PSD não esteve disponível para honrar os compromissos que nessa matéria firmou com o Grupo Parlamentar do Partido Socialista, no sentido de contribuir para uma qualificação das condições de exercício do poder local. O PS deve recolocar este tema na agenda política da próxima legislatura.
Seja como for, o PS assume o objectivo de fortalecer a sua posição no poder local e manterá a orientação de se apresentar com listas próprias às eleições autárquicas em todo o País, sem prejuízo de essa regra poder ter excepções pontuais em face de especiais circunstâncias políticas locais, nos casos em que tal venha a ser reconhecido como adequado pela direcção nacional do partido."
publicado por ps_ansiao às 22:19
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

.pesquisar

 

.Outubro 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
23
24

25
26
27
28
29
30
31


.últimos conteudos

. Algumas verdades (in)conv...

. A Força da Mudança (5)

.arquivos

.links

.tags

. "1.º ministro"(1)

. 1.º ciclo(1)

. 2009(1)

. 25 de abril(3)

. abril(1)

. actas(2)

. agora(1)

. água(3)

. almoço(1)

. alvorge(3)

. ansião(144)

. ansiao(1)

. ansião ps(3)

. apresentação(6)

. assembleia geral(1)

. aumentos(1)

. autárquicas(1)

. autárquicas ansião(2)

. avaliação(3)

. avaliação ansião(3)

. avaliação desempenho professores(1)

. avelar(9)

. avelar ansião(1)

. aviões embraer(1)

. barbosa(2)

. biografia(1)

. câmara(13)

. campanha(7)

. candidatos(14)

. candidatura(3)

. carlos césar(1)

. cavican(1)

. cem dias(1)

. censura(1)

. chão de couce(5)

. cimenteira(1)

. comicio(2)

. comício(1)

. computador(1)

. computador magalhães(1)

. comunicado(2)

. comunicado ansião(1)

. contenção(1)

. convenção ansião(1)

. convenção ps ansião(1)

. crise(1)

. deputados(2)

. educação(2)

. eleições(10)

. empréstimos(2)

. entrevista(2)

. escolas(2)

. extinção(2)

. freguesias(2)

. governo(3)

. homenagem(3)

. jantar(7)

. js(4)

. lagarteira(3)

. legislativas(2)

. leiria(4)

. militantes(2)

. moção(3)

. mulher(2)

. natal(2)

. notícias(2)

. política(2)

. politica ansião(2)

. pousaflores(2)

. professores ansião(5)

. programa de candidatura(2)

. ps(88)

. resultados(3)

. reunião de câmara(3)

. santiago da guarda(2)

. sócrates(3)

. sondagem(5)

. teresa fernandes(5)

. tribunal(4)

. vereação do ps(19)

. todas as tags

blogs SAPO

.subscrever feeds